Orgulho em campo: Você consegue lembrar de algum jogador, disputando uma Copa do mundo, que seja assumidamente gay?
- Raiane Natália
- 2 de jul.
- 2 min de leitura

Tem uma pergunta que a Copa do mundo nunca respondeu.
De quatro em quatro anos, a gente veste a camisa do nosso país, tira os ídolos do futebol da gaveta e transforma noventa minutos em assunto para uma semana inteira. Essa é a Copa do Mundo!
É o momento em que o futebol é de todos.
Mas ainda existe uma pergunta sem resposta:
Você consegue lembrar de algum jogador, disputando uma Copa, que seja assumidamente gay? Pois é!
É claro que não faz sentido acreditar que eles simplesmente não existem ou nunca existiram. O futebol é um dos esportes mais praticados do planeta, reúne milhares de atletas, e passa por todas as culturas, países e gerações.
A diversidade sempre existiu, isso é óbvio. Mas sempre foi difícil vermos ela dentro de campo.
O futebol masculino construiu uma imagem de força que é muito masculinizada e cruzada com a competitividade e a testosterona. Tudo que vá contra isso (que é o que anda de mão dada com o preconceito) é deixado completamente de fora desse roteiro que já é seguido há tantos anos. Não é por acaso, quando um jogador decide falar sobre sua sexualidade, que a notícia costuma ser tratada como um super acontecimento.
Enquanto isso, no futebol feminino, atletas vivem seus relacionamentos de forma pública com muito mais naturalidade. Ainda há preconceito, claro. Mas, existe um caminho mais aberto no caso delas, em que o amor feminino, neste contexto esportivo, seja mais esperado (talvez até de um ponto de vista pejorativo).

Isso sem mencionar a hiper valorização dos jogadores homens, mesmo que tenhamos mulheres extremamente capazes. Desde 2015, a Marta, por exemplo, é a maior artilheira da história da Seleção Brasileira (contando a masculina e a feminina), segundo a própria CBF (Confederação Brasileira de Futebol), já tendo marcado mais de 122 gols oficiais em partidas pela seleção principal, superando Pelé e Neymar. Mas, quantas vezes você já viu alguém se referir a ela como “Rainha do Futebol”? É desse apagamento que estamos falando.
No futebol masculino, o caminho para o amor homoafetivo ainda é cercado por um medo que é quase impossível de admitir, mas muita gente entende mesmo que nada seja dito.
O armário é um tabu ainda maior no vestiário masculino...
E é justamente por isso e tantos outros motivos, que o Mês do Orgulho (Junho), que acabou de terminar, continua sendo essencial; para lembrar que algumas pessoas ainda precisam escolher entre viver a própria verdade ou proteger a carreira que construíram a vida inteira e que existe sob o peso de uma expectativa muito abusiva.
No fim das contas, a ausência de jogadores assumidamente gays ou bissexuais na maior competição de futebol do mundo não prova que eles não existem. Isso só nos faz pensar em quantos ainda se escondem por aí.
No dia 12 de julho, Feira de Santana vai às ruas para o maior evento cultural que reúne a comunidade LGBTQIAPN+ de Feira de Santana, seria o Bando Anunciador a nossa parada feirense? Hahaha
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